Será que você não vê, Jorge? Por quê?
SERÁ QUE VOCÊ NÃO VÊ, JORGE? POR QUÊ?
Jorge, você tem que entender.
Os hormônios estão acabando comigo.
O corpo está me matando.
Não fosse a carcaça, meus pensamentos andariam livremente de cabeça em cabeça, se transformando em coisas palpáveis de mundo.
O corpo é o fardo, Jorge.
Todo o mês vem o cio e depois as dores.
Todo mês aborto um pouco.
O que faz a mulher mais humilde são as dores que a consomem.
Sempre espero a hora em que meu útero sairá de mim.
Vou olhar direto procurando os olhos dele, sem achar.
Vendo que parece um bife grande.
Um bife de fígado de boi.
INFO:
2000,
Belo Horizonte (MG),
Conto,
Prosa,
S
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